diálogo



chega uma hora
que meus olhos
são minhas
                 únicas palavras
eles falam
na sua pele branca
eles me contam
as imagens que
eu quero guardar
                          para sonhar depois

chega uma hora
que meus olhos
são minhas
                 únicas mãos
eles tocam
no calor de seu corpo
vestindo seus pêlos
de arrepios que
eu quero guardar
                          para lembrar sempre

naquela hora
meus olhos
                  me anteciparam
e interromperam
as palavras
    todas elas desnecessárias
eu só queria
escutar
           o silêncio brilhando
           ao ver você

nestas horas
meus olhos
                 me traem
                 e me delatam
não falo nada
meus olhos
                 são minha
                 única voz

e sei
você ouviu tudo
e tanto
          que mesmo calada
          me respondeu
aceitando
levar meu olhar
                colado em você


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© Alberto Vilela Chaer [AL-Chaer]
alberto.chaer@cultura.com.br