Surrealismo


Este é o dia em que os anjos
se consomem em chamas,
e os deuses esvaem-se em suas insanidades,
Este é o dia de rumores loucos,
de sussurros baixos e frágeis.
Este é o dia da torpeza humana,
da coroação ríspida e atroz da tua vaidade.
Este é o dia do encontro impossível,
das possibilidades falhas,
do desagravo, do desconcerto,
da falta de fé.
Este é o dia em que as mãos não mais tecem,
em que os lábios não cantam,
e todas as vozes estão secas e mortas.
Este é o dia, sem amanhãs, sem futuro,
É este o dia, e é somente hoje,
que permites que sejas
o que bem quiseres,
e te entregue a imperfeição que te consome,
nesta tua busca pela simetria humana.



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© Flavia Lúcia Lopes Porto
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