Microgramas


Cinco, sete, cinco:
é a métrica exata
do poema mínimo.

*

Quando de palavras
o poeta se embriaga,
o verso estraga.

*

Trapos coloridos
no varal dependurados
despem meus sentidos.

*

Teu azul profundo,
nos olhos de cristal tímido,
cintila o mundo.

*

Na órbita mágica
da translação, o sol faz
e desfaz verão.

*

Vem, borboleta,
colorir minha infância
de sonhos leves.

*

Navegantes lusos,
desafiando oráculos,
geraram mulatos.

*

À cravo & canela,
mares nunca navegados,
fez-se um império.

*

Bahia, meu cântico
te dou tão dessemelhante
do que aqui há.

*

Arvore Brasil,
se plantando tudo dá.
Roubam-nos ainda.


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© Fred Matos
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