Na Alma da Terra


( um pantum* subvertido )

As fundas valas cavadas com as mãos
de homens vermes famintos e tristes
são cicatrizes riscadas a bala
na alma da terra, dos mares, dos rios.

De homens vermes famintos e tristes
rompem risadas e soam assobios
na alma da terra, dos mares, dos rios
brotando das nódoas, dos desvarios

Rompem risadas e soam assobios
escárnio da carne sempre servil
brotando das nódoas, dos desvarios
as fundas valas cavadas com as mãos.

As fundas valas cavadas com as mãos
brotando das nódoas, dos desvarios
escárnio da carne sempre servil
rompem risadas e soam assobios.

Brotando das nódoas, dos desvarios
na alma da terra, dos mares, dos rios
rompem risadas e soam assobios
de homens vermes famintos e tristes

Na alma da terra, dos mares, dos rios.
são cicatrizes riscadas a bala
de homens vermes famintos e tristes
as fundas valas cavadas com as mãos.


* Pantum - poema malaio feito em quadras, no qual o segundo e o quarto verso da primeira quadra são o primeiro e terceiro da segunda; e o segundo e quarto verso da segunda quadra são o primeiro e terceiro da terceira quadra; etc...


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© Fred Matos
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