Fábrica de Anjos



cortaram minhas asas novas
e não me ouviram no escuro
meus gritos e não viram o sangue
meus olhos azuis em lágrimas
meus seios em chamas e chagas
meu corpo branco corrói-se
ceifaram a vida das crianças
elas choram e rezam em voz baixa
entre as paredes frias e brancas
do meu sexo disforme e expurgo
as almas dos anjos de carne
que lutam para exsurgir à luz
pelas vidas imaculadas de papel
descalças e vazias e pávidas
que caminham pela justiça
dos homens nojentos de fome
suas línguas secas e seu dinheiro
que me ajudam a mandá-los
de volta ao vosso lar nos céus
adeus minhas crianças
minhas efêmeras e pífias vidas


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© Ian Black
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