sonhemos com nuvens de algodão doce
que abjuram as muralhas atrofiadas pela foice
e atravessam impávidas, de forma indolor
as portas pichadas com caneta e lápis de cor
sonhemos com o sorriso nervoso da garota
és de chumbo a face à qual deita sua gota
e ostenta um mundo que outrora fora negado
maltratar e julgar, gritar num mundo variegado
(acho que mentir também pode)
o que tecera em toda a sua imagem oca?
asfixia, formigas copulam em minha boca
com o sabor de sangue e leite condensado
transforma o céu, de certo modo, bronzeado
tão forte que escorregara, sangrara viva
com sorte ao corte, pus e sangue e saliva
abraçado em la muerte sem (querer) saber
gozado, pena e ódio e inveja, bem querer...
aos que permanecem a humilhação perene
minha urina glorifica tal sessão solene
embriaguez fugaz, sois então funâmbulo
equilibra a paz, em guerras sois sonâmbulo
bebemos do suor do sagrado senhor em vão
para sufocarmos entornando-o ao cão
olhos que molestam os nossos, virgem cego
vilipêndio camuflado, infla-nos o ego
os santos apodreceram-se em medo
as tochas inflamam-se, com gosto azedo
enxergar-vos-ei a luz em dias vindouros
clamar-vos-ei vênia aos meus louros
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© Ian Black
pobre_paulista@hotmail.com