Não Sou Mais Uma Criança

Não sou mais uma criança.
Hoje eu brinco de Free Cell e Campo Minado.
Faço carinho pra receber também.
Não caio mais tantos tombos, mas quando acontece da vida puxar o meu tapete, descubro outros pontos de equilíbrio.
Continuo tendo ataques de riso por causa de besteiras.
Tenho medo da crueldade do ser humano.
Ainda não piso nas formigas da calçada.
Hoje, procuro no céu satélites artificiais, discos voadores, e me pergunto quantas formas de vida mais evoluída que a nossa existirão nesse universo?
Terão outros universos?
Imagino a carinha dos meus futuros netos.
Sonho com um futuro de paz, onde o ser humano respeite todas as formas de vida, inclusive a sua.
Ainda chamo meu irmão de Maninho.
Hoje penso em adotar uma criança.
Estou aprendendo a me controlar diante de situações difíceis.
Agora escolho melhor os galhos onde vou me soltar.
Ainda penso que meu pai sabe tudo sobre tudo.
Já percebi que mãe tem uma intuição divina.
Sei que terei meus avós pra sempre dentro de mim.
Percebo o quanto são frágeis as certezas da infância.
Entendo o quanto são mutáveis as certezas da vida.
Mas sei também que são elas que nos sustentam na escalada evolutiva.
Embora voláteis, serão sempre certezas a garantirem os nossos passos.


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