Ato Único

Um som de rádio ecoa nas paredes
De um bar perdido na grande cidade.
Anônimos revelam fatos mais ignotos
Aos outros melancólicos ouvintes.

Na mesa dois homens não conversam,
O papo já acabou e nenhum deles
Tem a coragem de se despedir por medo
De voltar e não encontrar a mulher idealizada.

E na do lado um corpo está comprando
Um outro corpo e uma vaga na cama.
Vai ter prazer fingido lá em cima.
O trabalho dignifica a mulher.

Mas num dos cantos do barzinho
Nélson não conversa com ninguém,
Está sozinho com seu copo e pensando
Que não precisa mais pensar em nada.

No outro canto olhos se conquistam
E invadem os desejos sujos do parceiro,
E na manhã vestem as roupas e se vão.
Eles se amaram por alguns minutos.

Na noite o bar fecha suas cortinas,
Fecha-se a luz dos filmes cotidianos.
Os atores principais vão-se saindo,
Amanhã haverá outra sessão.


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© Ricardo Barbosa de Castro
rcastro90@hotmail.com