Bêbado amanhã

Outro dia acordo triste
Imaginando outra rotina
Autêntica, autenticações
Não ligo, não ligam
Continuo fazendo nada
E nada por mim é feito
O relógio parece parar
Nos momentos em que não o olho
Depois volta a funcionar
Só pra me enganar
O tempo corre monótono
Eu corro contra ele,
Amanhã. Ah! Amanhã!
Eu queria que hoje já fosse amanhã
Vou poder ser eu mesmo
Livre, talvez eufórico, bêbado, com certeza
No sonho que tive esta noite
Amanhã eu era feliz
Fazendo o que eu sonhava
Desde ontem, anteontem...
E essa rotina, de nada autêntico pra fazer,
Nada, tudo eu estornaria se pudesse,
Só pra hoje ser amanhã,
Mas o relógio não quer
Será que eu vou ter que ficar bêbado
Pra eu poder me encontrarmos?
Não sei.
Tudo que sei é que eu queimei a língua com café.


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© Ricardo Barbosa de Castro
rcastro90@hotmail.com