Mim, Baby
Sempre, desde o meu primeiro sinal de vida (algo como "deixa eu voltar lá pra dentro!", segundo consta nos livros de registros da História da Humanidade da Minha Casa), até hoje, com meus 17 aninhos de existência, me entendo como a caçula da família. E, pelo jeito, parece que a tendência é seguir nessa denominação. Sim, o cuti cuti. É, aquela lá, tá vendo, é a minha neném... Assim, profissão: mim, baby.
Às vezes (o que significa uma vez sim, na outra com certeza), eu ia aos "eventos culturais" dos manos: churrascos, festas da turma, preparação do desfile da gincana, e tal. Era euzinha, lá no meio do agito! Quer dizer, eu não estava lá almoçando junto, sujando a casa junto, maltratando o cachorro junto, não... Assim, se aqueles loucos pegavam de se atirar com roupa, calçado, um tubo de tinta ou uma coxinha de galinha na piscina, quem é que tinha que buscar toalhas, limpar a bagunça...? E nas festas, sabe qual trouxa eles "selecionavam" (arbritrariamente!) pra bancar a garçonete? Sim, o bebê. Diziam, principalmente meu pai: "vai a Aline, que é a mais nova"...
Nem no começo da minha adolescência, depois de até ultrapassar a altura das gurias (Kika e Pati), as coisas mudaram. Elas agora não me "queriam" nas festas não porque era uma criança, mas porque se me arrumassem demais (que eu sou uma ameba para me maquiar sozinha), temiam que eu "roubasse" a atenção delas. Tipo assim, um colega da faculdade perguntando quem é a amiga de vocês, elas tendo que dizer ah, é nossa irmã mais nova, lembra? E aí, ter que ouvir o cara dizendo aquelas coisas de como cresceu, te carreguei no colo, blá blá blá. Claro, como se as duas não tivessem passado por isso...
Outro aspecto ruim é o "há algum tempo" e o "daqui há tempos". Primeiro caso: só falta a Aline arrumar um namoradinho, virar mocinha, ir nas festinhas. É, minha mãe tem tara por diminutivos, o que me deixa maluca. Não, o que me deixa maluquinha! E para o segundo: só ela pra se formar, só ela pra transar, só ela pra trabalhar, isso e aquilo... Ah, me poupe!
Mas deixemos passado o passado. O que me incomoda agora, em sendo o gugudadá, é o futuro. Vestibular, por exemplo. Faço em 2000 o último ano do ensino médio, e depois tchau tchau. O detalhe é que as aulas nem começarm, mas já não suporto mais todo mundo me perguntando o que vou fazer da vida. E a pressão de três irmãos anteriormente aprovados em federais... Outras demonstrações para futuro próximo: "só falta a Aline tirar a carteira de motorista", "só ela ainda não bateu o carro".Gente, eu não quero bater o carro, por Deus!!!
O mais engraçado é aquela frase, me parece agora tão contraditória: os últimos serão os primeiros. Como, se só falta eu tal coisa?? Sou a última que será sempre a última! Ou, se alguém tem a capacidade de me explicar isso, me mande um email urgente, please.
E isso tudo acontece por causa dessa 'ordem cronológica imposta na sociedade'. Assim, primeiro casa o mais velho, depois o outro e depois o outro, por exemplo. OK, mas e se eu quiser casar antes, algum problema? Minha irmã mais velha vai se sentir uma tia? E se ela se sentir, e daí? Que pegue o meu buquê!
A questão é que todos, sejam o caçula, primogênito ou filho do meio, devem aproveitar sua vida na hora que for mais aproveitável, sem se importar com uma certa "ordem". Ah, não posso namorar aos doze porque minha irmã só namorou aos quatorze... Que bobagem!
E assim repito o "ciclo artificial da vida": cada um aproveitando quando for mais aproveitável. A frase ficou melhor quando planejei na cabeça, mas entenda e use como quiser. Ah, e devolva minha chupeta antes que eu chame a mamãe!
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