My Love


...E a vida, como de coração a coração,
fala suavemente, ao nos encontrar e separar...

Hino Cientista Cristão

...Quem um dia irá dizer que existe razão nas coisas
Feitas pelo coração
?
E quem irá dizer que não existe razão ?
Eduardo e Mônica - Legião Urbana


Quem pode realmente definir como duas pessoas se apaixonam, e, mais importante ainda, como conseguirão ficar juntas? John Gray, no livro Homens São de Marte, Mulheres São de Vênus, enfatiza que deve-se compreender as diferenças e não tentar mudá-las. Já uma feminista norte-americana, cujo nome me escapa, no livro O Sexo Infiel, dizia que todos homens são iguais, só querem aquilo e a mulher prudente deve saber se preservar até arrastá-lo ao casamento. Amor masculino, dizia ela, resume-se em três coisas, e duas delas você pode esquecer.

Q
uem está certo, quem está errado? Não sei, e particularmente não estou nem um pouco preocupado. A experiência alheia é boa no sentido de nos prevenir de armadilhas semelhantes que possamos porventura encontrar, mas o que conta é a nossa experiência, que afinal é a única coisa que levamos.

C
onheci minha adorável cara-metade aos 25, na minha pós-graduação de Finanças. Aluna dedicada, ela sentava-se na primeira fila, e eu, devido a longo hábito, sentava-me no fundão (vocês sabem, cara tímido e discreto, prefere ficar escondido... ehehehehe). Ao ver aquela coisinha fofa, adorável, parecendo uma bonequinha de carne e osso, caí em love instantaneamente, e com meu estilo característico, tratei logo de me apresentar. Nosso primeiro contato foi memorável: ela me deixou falando sozinho. Mais tarde, ela me confidenciaria que me achou arrogante, metido e muito folgado (começamos bem, não?).

M
uitas conversas depois, eu, mais do que convencido de que aquela era a mulher da minha vida, e ela, pelo menos convencida de que eu não mordia, começamos a namorar, e aqui estamos até hoje, após um noivado em 97, e esperamos por um casamento  tão logo eu consiga dar um jeito na minha vida profissional e estabilizar minha renda (afinal de contas essa história de amor e uma cabana não dá certo).

N
a verdade é um relacionamento paradigmático o nosso: ela é organizada, metódica, poliglota, esportista, adora dançar, é uma doceira talentosa e agitada, daquelas que dormem 6 horas por noite; detesta carne vermelha e leite, e é frugal, daquelas que comem duas colheres de arroz, uma de feijão e dizem que estão satisfeitas.

Igualzinho a mim: sou um esportista horizontal, daqueles que fazem levantamento com o cobertor e natação no chuveiro; danço como um urso amestrado (quando danço) e sou daqueles cozinheiros que queimam até água fervida; vendo a alma por um churrasquinho caprichado, e refeição substancial, para mim, é um Virado à Paulista, um Lombo à Cubana ou até mesmo uma feijoada; café da manhã é pizza requentada e café com leite, e sou daqueles que deixam o calçado na porta do quarto para facilitar a vida.

M
as afinal, como continuamos juntos? Porque, embora opostos se atraiam, são os semelhantes que se juntam: ambos somos honestos, francos, gostamos de chocolate, música dance e de aprender coisas novas; ambos detestamos pagode e música sertaneja; e sempre honramos a confiança dos outros em nós depositada. E é claro, há o amor que estimula a lidar com as diferenças...

O
futuro? Quem sabe? Talvez um casal de velhinhos acompanhado pela filha; ela, uma velhinha agitada praticando cooper com a filha, e ele, um velho caturra e gordinho reclamando que as duas vivem arrastando ele para esses esportes, que ele está velho e satisfeito, que seus pés estão doendo e quando vamos voltar... Ehehehehe!

Coisas que aprendi com ela:

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Artes: eu acreditava que só existiam as cores primárias; depois aprendi a verdade. Por exemplo, para pintura de paredes, não tem só amarelo, mas amarelo-canário, amarelo-ouro, amarelo-esverdeado, amarelo-marfim, etc...etc...
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Design: aquele modelo de quarto com cama, armário e algumas estantes é só para solteiro... Vida de casal é mais detalhada.
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Moda: existe vida além do jeans.
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Organização e Métodos: sapatos na sapateira, calças e camisa no armário (e não penduradas na cadeira).
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Vida Íntima: ela disse que eu ronco...


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© Paulo Ricardo Schwind
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