Memória fotográfica de Amor
Vejo-te
Onipotente em fragmentos
Dilacero-te
Transporto-te para o real
E de matéria em sonho, crio-te em palavra.
Junção de palavras
Atiradas no vazio metafórico.
De tanto te dizer em ilusão, ilusão já não tenho.
E de náufrago significado
Rasgado por ferramentas precisas
Assim somos
Pois da vida, merecemos o viver
Palavras e amor, vomitados no realismo
Virtualíssimo, nauseante
Corpos escritos sangrados em branco
Minha doce chama fria.
Pensamentos, olhares
Assim caminho,
Assim rastejo.
Lento conduz-me.
Lentamente observo
A memória fotográfica de Amor
Cubro-te em sangue
Respiro-te em carne
Apodreço-te no silêncio
Quietude, minha amante, já não me prendes mais
Sussurro para a morte
E teu sorriso continua lindo
Esculpindo a forma, a métrica.
Confusas imagens, na placenta disforme,
Transmentem minha dor a cada dia.
| Anterior | Índice |
© Társis Schwald tarsischwald@excite.com